20/07/15

Carta de amor para Virgínia Woolf

Estou reduzida ao desejo por Virgínia [I am reduced to a thing that wants Virginia.]. Durante as negras horas de insónia, escrevi-te uma carta, que entretanto se evadiu: sinto desesperadamente a tua falta, de um modo simples e humano. Tu, com todas as tuas inteligentes cartas, nunca escreverias uma frase tão elementar como esta; talvez nunca a tenhas sentido. E, apesar disso, eu creio que serás sensível ao que digo. Só que, se fosses tu, tornarias esta frase tão requintada que ela perderia o seu sentido.

Eu vou directamente ao ponto: sinto mais a tua falta do que poderia ter imaginado; e estava preparada para sentir a tua falta. Então esta carta é só uma sequela da dor. É incrível quão essencial te tornaste para mim.

Suponho que estejas habituada a que te digam estas coisas. Caramba, criatura mimada; eu não deveria conquistar-te submetendo-me desta forma - mas, oh, minha querida, não consigo ser inteligente e distante de ti; eu amo-te demais para isso. De uma forma demasiado sincera. Tu não fazes ideia quão distante eu posso ser daqueles de quem não gosto. Aperfeiçoei esta característica; mas tu fizeste-me baixar a guarda. E eu não me arrependo.

Não te aborrecerei mais.

(...)

Por favor desculpa-me por te ter escrito com uma letra tão trémula.

V. [Vitta Sackville-West]



Vitta foi uma das namoradas de Virgínia Woolf, aquela que deu origem ao Orlando, livro e personagem. Esta carta foi escrita a 21 de Janeiro de 1926.

A versão original da carta encontra-se neste site e eu traduzi, a partir de lá, este excerto.

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