27/07/15

All day and all of the night

Girl, I want to be with you
all of the tiiiimeee.

Sobre o nada que é criador


"A primeira criação, pelo contrário, tem de sair «do nada», isto é, para a concretizar, o espírito dispõe apenas de si próprio; ou melhor, nem de si próprio dispõe, tem de se criar a si próprio: por isso, a sua primeira criação é ele próprio, o espírito. Por mais místico que pareça, é de facto uma experiência quotidiana. Serás tu um ser pensante antes de pensares? Ao criares o primeiro pensamento, crias-te a ti próprio, o pensador; pois não pensas antes de pensares um pensamento, ou seja, antes de o teres."

Max Stirner, O Único e a Sua Propriedade, p.31.

25/07/15

Sobre uma política cultural adequada

No dia em que houver uma política cultural realmente digna e levada a fundo, isto é, uma política em que todas as manifestações de cultura (...) forem postas ao serviço do progresso e do enriquecimento do nosso espírito, acabar-se-ão as incompreensões e a ideia de "acaso", de extravagantes e quase palhaços que se fomenta no povo sobre o artista.

Compreender-se-á a importância do seu papel na sociedade.

Antoni Tàpies, ibidem.

24/07/15

Off.

Hoje, nem a mim me suporto. Estou com o maior mau feitio de sempre.
(Já para não dizer que parti dois copos e um prato na Gulbenkian. Não mereço.)

Porque é que eu ainda não ganhei dinheiro nenhum?

Ai meu Deus, porque é que eu não tenho dinheiro? Porque é que que eu ainda não ganhei dinheiro nenhum? Porque é que eu ainda não aprendi nada? 

Ah, mas eu já aprendi qualquer coisa. Não se pode dizer que ainda não tenha aprendido nada. Toco piano, falo francês, inglês e até um bocadinho de italiano, frequentei seminários de história de arte.

Ha ha! E mesmo que tivesse aprendido qualquer coisa mais útil, de que é que isso me servia?

Arthur Schnitzler, Menina Else, Edições Cotovia, Lisboa, 2008, p.22.

22/07/15

O seu a seu dono

Não há remédio senão gritar e bater com força quando achamos, como dizia não sei que poeta beatnik, que o mundo não pode funcionar bem enquanto não conseguirmos, com a nossa luta e os nossos escândalos, que os honrados representantes da ordem sejam colocados no lugar que lhes corresponde, isto é, no de cobradores de eléctrico.

Antoni Tàpies, Declarações, A prática da Arte, Cotovia: 2002.

Hayao Miyazaki


20/07/15

Sobre a claridade

Entre os que se entendem há demasiada claridade.

Agustina Bessa-Luís, neste blog.

Carta de amor para Virgínia Woolf

Estou reduzida ao desejo por Virgínia [I am reduced to a thing that wants Virginia.]. Durante as negras horas de insónia, escrevi-te uma carta, que entretanto se evadiu: sinto desesperadamente a tua falta, de um modo simples e humano. Tu, com todas as tuas inteligentes cartas, nunca escreverias uma frase tão elementar como esta; talvez nunca a tenhas sentido. E, apesar disso, eu creio que serás sensível ao que digo. Só que, se fosses tu, tornarias esta frase tão requintada que ela perderia o seu sentido.

Eu vou directamente ao ponto: sinto mais a tua falta do que poderia ter imaginado; e estava preparada para sentir a tua falta. Então esta carta é só uma sequela da dor. É incrível quão essencial te tornaste para mim.

Suponho que estejas habituada a que te digam estas coisas. Caramba, criatura mimada; eu não deveria conquistar-te submetendo-me desta forma - mas, oh, minha querida, não consigo ser inteligente e distante de ti; eu amo-te demais para isso. De uma forma demasiado sincera. Tu não fazes ideia quão distante eu posso ser daqueles de quem não gosto. Aperfeiçoei esta característica; mas tu fizeste-me baixar a guarda. E eu não me arrependo.

Não te aborrecerei mais.

(...)

Por favor desculpa-me por te ter escrito com uma letra tão trémula.

V. [Vitta Sackville-West]



Vitta foi uma das namoradas de Virgínia Woolf, aquela que deu origem ao Orlando, livro e personagem. Esta carta foi escrita a 21 de Janeiro de 1926.

A versão original da carta encontra-se neste site e eu traduzi, a partir de lá, este excerto.

Eu vim de longe


E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou.

Das palavras proibidas (5)

A primeira vez que ouvi a minha mãe dizer merda já estava na faculdade. Parece que há uma certa idade para se aceder a determinadas palavras. O problema é que o sentido da palavra já crescia dentro de mim e eu não sabia como expressá-lo. Bela merda.

17/07/15

Formar um novo conceito de realidade

Se conseguirmos formar um novo conceito de realidade, não é por capricho pessoal, mas sim por factos concretos que acontecem à nossa volta. Não se trata, portanto de uma visão particular, isolada, mas para esta visão participa e contribui, com o seu intercâmbio mútuo, todo um sector de uma geração, aquele que é realmente vivo e que está presente nos nossos factos, e que poderíamos qualificar como grupo de intelectuais progressistas ou de vanguarda.

Vamos sempre a par, ou deveríamos ir, do filósofo, do cientista e até mesmo do político progressista. (...) Há, ou devia haver sempre, um diálogo constante e um caminhar paralelo entre as diferentes disciplinas intelectuais e o trabalho do artista.

Antoni Tàpies, A Prática da Arte, Cotovia: 2002.

16/07/15

Um pombo pousou num ramo a reflectir na existência (Roy Andersson)

O trailer aqui.

Sem qualquer questão, um filme que me desfez
nós na cabeça e me fez sentir compreendida. 

Estou toda cafeinada!

Hoje fui ao quarto café. Quer-me parecer que quando terminar a tese, vou passar uma semana a dormir. Ou isso, ou isso.

Das palavras proibidas (4)

Não me deixavam dizer algumas palavras, mas nunca me impediram os provérbios.
Depois mandaram-me para a faculdade e eu só tinha erudição forçada. Tive pena, mas tristezas não pagam dívidas.

Menina a pentear-se

Kotondo Torii, 1929.

(que linda, que linda, que linda.)

15/07/15

Josephene Corbin

Nasceu com dois corpos perfeitamente funcionais da cintura para baixo e um único tronco e cabeça. A mim, é mais ao contrário.

Metamorfose Ambulante



Ontem estive a ler o meu blog antigo. Meu deus. 

11/07/15

Carta ao Pai (19)





Ninfomaníaca.

Do dia (36)

Acordei pouco antes das 6h, com medo de não acordar a tempo. Escrevi a tese, vi que tinha chamadas não atendidas, duas mensagens cuja resposta ficou adiada, voltei a adiar, fiz lembretes para não me esquecer. Comi, à temperatura ambiente, iogurte com pêssego. Comi uma banana. Tomei banho, voltei à tese, nisto eram oito, hora de sair. Cantarolei até ao carro para me distrair. Fui até ao cemitério, enterrei a avó perto do pai, deu-me o choro para dentro, pus-me no comboio e vim para Lisboa.

Fui à beira do mar


Desde então a bater 
No meu peito em segredo 
Sinto uma voz dizer 
Teima, teima sem medo

Sobre a infância pecadora



Ninfomaníaca.

Sobre a dificuldade das emoções


I, Robot.

06/07/15

Chim Chim Cheree


Às vezes, cantamos isto pela casa em coro
e é muito bonito.
Outras vezes, cantamos Fausto e ouvimos
até não poder mais.

Chegar a casa

A minha casinha é muito bonita e calma. Pronto, era só para eu própria não me esquecer.

05/07/15

Carta ao Pai (18)


Viver com a crueldade
Da criança que
Tira os olhos ao pássaro

(...)

E as mãos que sentimos
Bem presas seguras aptas

Essas
Todos sabemos
Que podem ainda cada vez mais 
Esmagar com cuidado com extremo cuidado
Dilacerar suavemente
Nos olhos está o amor.

Mário Henrique-Leiria, Viver com a Crueldade (excertos).

Sobre Deus (e a minha avó)

Em África, o meu avô foi atingido quase mortalmente. Era o primeiro da fila, mas conseguiu baixar-se a tempo do segundo tiro do inimigo matar o segundo da fila e não o atingir uma segunda vez.

A minha avó diz que Deus o salvou porque ela pediu muito. Eu perguntei se já tinha pensado que a mulher do morto também podia ter pedido muito e pedi-lhe para justificar a escolha de Deus pelo meu avô.

Ela responde depressa: de certeza que foi porque eu pedi muito mais que a outra.

(Deus escolhe os mais chatos.)

No consultório

Ao telefone com a minha avó.
- Então, filha, estás doente?
- Não, avó. Estou a falar baixinho porque estou no gabinete do psicólogo.
(longo suspiro) - Eu sabia... Quando não é uma coisa, é outra.

Lágrimas e Suspiros


04/07/15

03/07/15

Do dia (35)

Acordei às 04.44h e pedi um desejo, que foi que não ressonasse mais. Não ressonou. Eu também não adormeci, acho que porque me esqueci de pedir o resto do desejo. Tive que esperar pelas 05.55h para pedir desejo de dormir, mas a essa hora já tinha adormecido. Acordei às 11.11h. Ouvi uma palestra. Fiquei fora de mim. Tenho que esperar pelas 20.20h para pedir um desejo completo.

01/07/15

Guajira Guantanamera


Yo soy un hombre sincero
De donde crece la palma
Y antes de morirme quiero
Echar mis versos del alma

Morrer

Nunca se morre demasiado cedo, não é? Morre-se e pronto, no tempo certo.

Do meu baptismo

Fui baptizada no dia em que fiz a primeira comunhão.

Hoje lembrei-me disto quando estava a escrever que as pessoas eram todas Únicas antes de se deixarem apropriar por ideias que não eram delas, acabando por se alienar, mas tendo sempre o potencial de Único. Quando tomavam consciência que eram as ideias que tinham tomado conta delas em vez delas dominarem as ideias, voltavam a ter total poder sobre si próprias.

Pensei que ter-me baptizado foi um desperdício. Se Deus achasse mesmo que eu era da sua família, por que foi precisa uma confirmação? E, dizia a minha avó, que Deus me perdoava se eu não quisesse fazer parte da família d'Ele. Mas eu não queria o seu perdão, nem sequer queria ter nada a ver com aquela entidade.

Se já nascemos todos na família de Deus, ter-me baptizado foi só uma tomada de consciência de que fazia mesmo parte daquela família? Só que se se pode ser alienado de si próprio, será que se pode ser alienado de uma família divina?

Sempre tive grandes problemas em pertencer a famílias, sejam elas quais forem.


Para você aprender a palavra nacre

oi eu estou com o seu casaco frio
oi eu estou dentro do seu casaco frio
oi eu estou cobrindo o meu rosto
com o capuz do seu casaco frio
agora eu não vejo mais nada
agora está ficando
mais difícil
respirar

Luca Argel, O livro de reclamações.


(Há seis meses que tinha este post para publicar.)

Eu - Quando o meu orientador me elogia

Fico a sentir-me a dona do mundo.
Bom, bom, era se viesse acompanhado de rebuçadinho.
Upa upa.

Sobre ter palavras proibidas

Horrível e fantástico eram palavras proibidas. Devia dizer 'desagradável' e 'agradável'. 
Depois aconteceram-me coisas horríveis, mas como eram desagradáveis, não tiveram importância.
Horrível.

Sobre as dúvidas recorrentes

Quando estou de costas e com phones, nunca sei se a {anita} está a agrafar ou se está a mastigar muito alto.