11/05/15

Dos sobressaltos

Lavar os dentes, olhar para o corpo já coberto, deitar-me, sentir a cabeça em cima das minhas maminhas, ver fechar os olhos, ouvir que o meu colinho é bom, perguntar se posso contar uma história, inventar uma história, contá-la até ao fim mesmo que já oiça dormir, dar beijinho e continuar a ler.
Apagar a luz, desfazer o colinho, enlaçar as pernas, adormecer. Acordar a meio da noite, ouvir pezinhos de lã, ouvir se estou a dormir, responder que não, ouvir desejos, fazer força para não me esquecer dos desejos, manter-me acordada no escuro, pensar que não sei se estou a dormir, passarem dez minutos ou uma hora, ouvir dormir e adormecer outra vez.
Acordar com um pontapé de sono sobressaltado, agarrar as pernas com as minhas pernas, segredar para dormir bem, ouvir que ainda bem que estou ali e adormecer. Acordar cedo ainda com a mão dada do pesadelo da noite e ficar a pensar que nunca tinha conhecido ninguém que cheirasse tão bem de manhã.