11/05/15

Diário

Mantenho diários há alguns anos. Começou na infância, quando punha folhas de árvores no meio dos livros da minha mãe e depois colava em papel, ao acaso. Comecei a escrever, mas sempre tiveram muito poucas palavras. Guardam colagens, bocadinhos de coisas, nódoas de vinho em papel de restaurante e às vezes, ideias que tenho para qualquer coisa.

Eles não são verdadeiramente íntimos: não, isto não é verdade;  não são secretos, há poucas coisas que lá estejam que não possam ser lidas, vistas ou contadas em voz alta. Aprendi a esconder-me muito bem e às vezes, gosto de mostrar algumas partes ou ler em voz alta pequenas passagens a outras pessoas. É que preciso de confirmar que aquilo que quero passar, só passa para mim e para alguns.

O meu diário está sempre na sombra, mesmo que esteja à vista de todos. Acho que é por isso que os continuo: até no sítio mais escondido, está escondido dos olhares dos outros, mesmo quando eles o vêem.

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