30/03/15

O beijo

A filha imóvel, de nuca vergada para trás, os olhos cerrados, nos braços do pai... Enquanto este, sentado na poltrona, os olhos rasos de lágrimas, longamente, sequiosamente, ardentemente beijava a boca dela, tal como se de um apaixonado se tratasse. Nem a filha falava, nem ele; a cara debruçada sobre ela, sentado, como se estivesse com o seu primeiro amor, ajustou a sua boca à dela e beijou-a.

Kleist (citado por Max Brod num livro sobre Franz Kafka.)

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