12/03/15

Extática e sagrada loucura

Às vezes estou à mesa: e cômo ou sonho ou estou
somente imóvel entre a aérea
felicidade da noite. O sangue do mundo corre
e brilha. Porque a minha carne se distrai
entre as coisas altas da primavera nocturna.
Ocupo-me nos símbolos, e gostaria
que o meu coração
entontecesse lentamente, que o meu coração
caísse numa espécie de extática e sagrada loucura.

Herberto Helder, Poesia Toda, Assírio e Alvim, 1996, p.30
(excerto do Poema, parte III).

(Curiosamente, quando o li pela primeira vez, foi assim: (...) gostaria que o meu coração caísse numa espécie de extática e saudável loucura.)

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