21/02/15

Do dia (27)

Hoje, acordei mais cedo do que previa. Não comi até às quatro, porque só consegui pensar no poema em que o Herberto Helder diz 'um nó de sangue na garganta'. Consigo imaginar com muita nitidez um tubo de sangue que desce pela língua abaixo, dá um nó na garganta que escurece e desagua no estômago. Quase fui atropelada; quando o carro apitou e fez uma travagem brusca, eu mantive-me no meio da rua. Ele voltou a apitar, chamou-me puta, apitou outra vez e eu dei um passinho para o lado. Só consigo pensar num 'nó de sangue na garganta, um nó apenas duro'.

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