13/05/14

O professor Sá Couto

Tinham-me dito que era o melhor professor de Filosofia do secundário na ilha. O meu próprio professor havia sido seu aluno e tinha-lhe uma inigualável estima. Foi assim que mudei de escola, a meio do secundário - só para saber um bocadinho mais.

A sala de aula cheirava sempre a vinho. Mas nós não nos importávamos, porque as aulas eram realmente boas. Foi lá que conheci Kant a sério e foi lá que li um excerto da Crítica da Razão Pura sem perceber e a dizer que percebia. Viu que eu não compreendia nada e, sem menosprezar a mania própria da idade, explicou.

Pedi-lhe conselhos sobre universidades. Empurrou-me para Lisboa, apesar de ele ter estudado no Porto. Segui-lhe o conselho e fiz bem. De vez em quando trocávamos mails - e ele dizia-me sempre 'isso está tudo muito certo, mas não te esqueças de viver!'.

Nem sei bem como expressar a forma como ele mudou a minha perspetiva de vida e como ele me encaminhou em termos de estudos.
Por isso, é com pesar que me despeço.
Cumprimentos ao Kant, professor!

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