21/05/14

Confidências

O que eu gostava mesmo era de ser uma erudita despreocupada.

Imagino-me a fumar num jardim, com os olhos semi-abertos, uns óculinhos redondos, a ler uma primeira edição de um filósofo alemão do século XVIII. Quando falassem comigo, olharia por cima dos óculos e daria uma resposta de três ou quatro palavras que deixaria o meu interlocutor espantado.
Nas aulas, não tomaria apontamentos nem faria perguntas - em vez disso, estaria a escrever poesia ou a desenhar. E esses pedaços de papel seriam, mais tarde, objetos de museu.

Em vez disso, quando passo em garagens abertas, pontes e que tais, digo 'ah!' com força, para ouvir o eco. Rio e falo, alto e muito. Gosto de um certo burburinho de fundo.

Quanto aos jardins, só os uso para adormecer ao sol e não dar conta de que me estou a babar em frente a toda a gente.

2 comentários:

{anita} disse...

Onde se percebe que a tua realidade é muito mais bonita que as tuas melhores fantasias...

Laura disse...

:D :*