26/05/14

Cartas (agora ando nisto da correspondência)

Querida Laura,

espero que já tenhas percebido que os outros também são inseguros; e que isso não faz mal. Que quando te desapaixonas e te confrontas com isso, parece que nem consegues respirar - e quando te voltas a apaixonar, a respiração é quase tão difícil.

Também espero que percebas que não deves ter vergonha de gostar de João César Monteiro, de declamar poesia em voz alta só para ti, imaginando um público e de, ao mesmo tempo, não saberes apreciar literatura ou arte como gostarias. Não é presunçoso quereres aprender e não faz mal gostares do que gostas. Não tem importância se gostas de te maquilhar todos os dias - só por estares em filosofia, isso não significa que tenhas que gostar da forma como os filósofos se arranjam.

Mas, sobretudo, compreende isto: todos temos podres e não faz mal - repito, não faz mal! - se eles te surpreenderem (os teus e os dos outros). É sinal que ainda não morreste e há muito que ainda não sabes.

Por último: o que tem realmente importância é se tratas com delicadeza a bagagem dos que vêm. É que às vezes é tão grande, que tu pensas que estás a ver tudo e não estás.

Alguém para tchim tchim?

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